Lula desautoriza líder no Senado e confirma veto a projeto que beneficia condenados pelo 8/1
BRASÍLIA – O cenário político foi marcado por um forte desencontro de informações entre o Palácio do Planalto e sua liderança no Congresso nesta quinta-feira (18). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou publicamente que irá barrar o recém-aprovado projeto de lei que altera a dosimetria de penas, beneficiando diretamente os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes e em tentativas de golpe de Estado.
O choque entre o Presidente e a Liderança
Embora o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tenha admitido a construção de um acordo com a oposição para viabilizar a votação, Lula foi enfático ao negar qualquer participação na negociação.
“Se não me informaram, o acordo não existiu para mim”, afirmou o presidente em coletiva.
Lula criticou a tentativa de abrandar punições enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda conduz os julgamentos. Para o chefe do Executivo, a medida é inoportuna e desrespeita o processo judicial em curso.
A estratégia de Jaques Wagner
A aprovação do texto-base (48 votos a favor e 25 contra) na noite de quarta-feira foi, segundo Jaques Wagner, uma “moeda de troca” necessária. O objetivo da liderança era destravar a pauta econômica, garantindo a aprovação de novos impostos sobre casas de apostas (bets) e fintechs, essenciais para o fechamento das contas do governo.
Wagner afirmou estar “tranquilo” com sua postura e assumiu que não consultou o Planalto antes de selar o pacto com os opositores, alegando que o projeto já teria força para ser aprovado nas comissões de qualquer maneira.
Próximos passos e o “Jogo Democrático”
A declaração de Lula antecipa uma nova crise na relação entre os poderes. O presidente reforçou que o veto faz parte de sua prerrogativa constitucional:
- Poder Executivo: Lula exerce o veto ao receber o projeto.
- Poder Legislativo: O Congresso terá a palavra final, podendo manter ou derrubar a decisão do presidente em uma nova sessão.
A movimentação gerou críticas ácidas de aliados da base aliada. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi um dos mais vocais, classificando a articulação do governo como um erro estratégico que favorece aqueles que atentaram contra a democracia brasileira.

